terça-feira, 19 de agosto de 2014

Ao Henrique Raposo

Caro Henrique,
Sou uma dessas Algarvias puras que tanto parece desprezar. Nunca me entendi como pessoa antipática, muito menos mal educada, ou sequer de trato difícil.
Os meus Pais, também eles algarvios puros, sempre me incutiram o respeito pelos outros e a necessidade de se agir com justiça, sem generalizações baratas, sob pena de se fazer triste figura quando se pretende brilhar.
Sigo o seu trabalho e gosto do que escreve, sendo que desta vez fiquei espantada com o teor do seu artigo sobre os Algarvios.
Muito me espanta, e entristece, que um jornalista com as qualidades que publicamente lhe são reconhecidas, tenha a falta de noção da realidade no que toca a estas gentes que apelida de indelicadas, mal humoradas e pouco profissionais.
Fico, contudo, menos preocupada por saber que no resto do Pais o serviço é bom em todo o lado. Podia enumerar-lhe as vezes em que assisti a cenas deprimentes, de pura falta se civismo e de extrema má educação, mas certamente foram perpetradas por Algarvios desavindos...
Podia também relatar-lhe os comportamentos anti-sociais, de pura bestialidade com que os marafados algarvios são confrontados em cada Agosto. Podia dizer-lhe que o turista português, lamentavelmente, é o pior que por cá anda: Quer tudo, de preferência não pagando nada e sai sempre insatisfeito, é o chamado f{}%#^* e mal pago!
Mas não lhe digo, primeiro porque certamente não iria perceber e segundo porque não gosto de generalizações, as quais, invariavelmente, tendem a ser injustas, ofensivas e ridículas, acabando por dizer mais de quem as profere do que dos visados a quem se dirigem.
Gente boa e gente má existe em todo o lado, serve para o local e para o visitante, tal como serve para todos os aspectos da vida! É uma pena que não se tenha dado conta.
Não consigo, contudo, deixar de me questionar o que o traz por cá, pois que, se as gentes desta terra são assim tão execráveis como refere, porque raio insiste em voltar todos os anos? Não se incomode, será difícil, mas desconfio que sobreviveremos sem a sua visita.
Pode aproveitar para conhecer outros sítios deste nosso país magnífico, e se me permite, posso até fazer-lhe uma sugestão: Experimente o Cabo da Roca, parece que se tiram uma selfies bem catitas de lá!



15 comentários:

  1. Infelizmente não consigo aceder ao link com o texto deste senhor, mas a a valiar pelo texto é bom que não volte ao Algarve nos próximos tempos...

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    1. Pois, só comprando o jornal... Não sei se valerá a pena!

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  2. Tá "tude dite"!!!
    É assim mesmo.
    Bizinho

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  3. Muito bom... Principalmente para Algarvia marafada!!! Um beijinho grande para ti e para os marafados:-)

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  4. consta que o henrique raposo do jornal expresso é contra os gays nas suas cronicas mas parece que também faz umas peladas...noutros campeonatos :)

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  5. Expresso - primeiro caderno – 15 de Agosto de 2014

    OS ALGARVIOS
    Mantenho há vinte anos uma relação de amor-ódio com o Algarve. Para começar, irrito-me com a antipatia militante do algarvio puro, aquele que é típico de Odiáxere, Vila Real, Monte Francisco, Castro Marim ou Monte Gordo, mas que também aparece em cidades como Portimão ou Lagos. Sim, encontrar um algarvio simpático é quase tão difícil como encontrar um Espírito Santo bom de contas. Até parece que os algarvios fazem gala da sua antipatia. E como se a delicadeza fosse sinónimo de fraqueza ou de hábitos efeminados. Em algumas destas terras, até podíamos fazer o casting para filmes de piratas. A tripulação e os amores de Errol Flynn estão em Odiáxere: elas e eles são sempre figuras enxutas, parecem navalhas tisnadas pelo sol e pela ausência do sorriso. Não há gordos nem sorrisos no Algarve. Ora, como é óbvio, esta atitude torna-se desesperante em agosto. Todos os anos, viro costas a empregados e a proprietários de cafés. Não sabem receber. Parece que estão a fazer um favor. Não se mexem. São indolentes e insolentes ao mesmo tempo. Há uns anos, ainda conseguia enganá-los quando começava a improvisar uns diálogos em inglês ou alemão. Mas agora já não dá, eles afinaram o ouvido e não consigo fugir à sina: o lisboeta não merece respeito, é um intruso que se tolera por razões económicas. E como se eles sentissem que os alfacinhas amaricados só estão ali para roubar ou sugar o Algarve.
    De onde é que isto vem? Arrisco uma hipótese: os algarvios têm mesmo razões de queixa, porque estiveram sempre desligados do resto do país. Querem exemplos? Quando fez o guia das praias portuguesas, Ramalho Ortigão não indicou nenhuma praia algarvia. Eis um sinal de um país que viveu um século XIX traumático e desagregador. Para capturar o Remexido, guerrilheiro miguelista e algarvio, os liberais fizeram deslocamentos "estalinistas" de populações na serra algarvia e assassinaram centenas de oficiais miguelistas que já tinham deposto as armas. Mais tarde, mesmo depois da paz de 1851, a lei nunca cobriu o sul do país. O caminho entre Lisboa e o Algarve era difícil devido à escassez de estradas e perigoso devido ao banditismo. O Algarve, portanto, foi sempre uma terra a ferro e fogo. As clavinas camilianas não são apenas do Minho. E este clima de violência era reforçado pelos ataques dos corsários berberes. Não é difícil imaginar populações algarvias a defenderem-se sozinhas destes piratas magrebinos, sem qualquer ajuda do Leviatã que não saía de Lisboa e do Porto. O Algarve só começou a ser português nos anos 60 e, mesmo nessa altura, os "camones", os "bifes" e os "avecs" foram os grandes descobridores.
    Se tivermos este passado em mente, compreendemos a tal antipatia algarvia em relação ao lisboeta e a permanente desconfiança perante aqueles que não pertencem à tribo. Mas, lá está, se tivermos a sorte de sermos adotados pela tribo, se conseguirmos convencê-los a baixar a guarda, podemos descobrir que os algarvios e as algarvias podem ser os maiores amigos e as maiores paixões. Um amor algarvio nunca é só um amor de verão. Mas, se não se importam, o lado solar do Algarve fica pró ano.

    Henrique Raposo escreve no Expresso Diário de segunda a sexta-feira

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  6. Sugiro a assinatura da petição, aqueles que se mostram indignados com a postura desse "senhor", http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=P2013N70773

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    1. nem merece comentário essa besta.....

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  7. o homem até tem razão, existem algarvios assim e sou um deles
    tirem as portagens da via do infante e ponham nas entradas do algarve, estou farto de tugas de férias, uau uma esmola em agosto, que bom, e no resto do ano onde andam?? esta portugalhada toda em agosto enxota os turistas simpaticos, ninguém está para aturar lisboetas e afins trombudos

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    1. Sabe, o meu lema é que as atitudes ficam para quem as praticam, sejam do visitante ou do visitado. Se todos tivéssemos esse princípio interiorizado, a coisa corria muito melhor para toda a gente! ;)

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